EDUCAÇÃO JESUÍTICA NO BRASIL COLONIAL

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Tratamos do processo de escolarização durante o período da colonização, especificamente, do método pedagógico jesuítico. Sobre essa realidade defina a concepção pedagógica do RÁTIO STUDIORUM trazidos pelos Jesuítas, a partir da leitura do texto de José Maria de Paiva, que tem como tema “EDUCAÇÃO JESUÍTICA NO BRASIL COLONIAL” do livro 500 anos de educação no Brasil.

O processo de escolarização durante o período da colonização, de acordo com nossas aulas, na disciplina de Educação básica e o Ensino no Brasil, sobre o método pedagógico jesuítico retrata o monopólio da vertente religiosa e da pedagogia tradicional, onde se evidencia a relação estreita entre a Colonização, religião e a educação, onde a primeira tentativa de educação foi imposta pelos portugueses sobre os povos indígenas, podemos conhecer também o papel da educação jesuítica, ou seja, a imposição da igreja religiosa e católica e “os gentios doutrinados na santa fé” e a educação como agente no processo de aculturação.

Conhecemos também, o chamado período heroico, ensino organizado pelos jesuítas para os indígenas, com o objetivo de garantir os interesses do processo de colonização, estreitando laços com os nativos, com interesses como o trabalho e mão de obra escrava, articular comunicação para o domínio das terras, predominar a disseminação das sagradas escrituras e através da fé cristã instituir os interesses econômicos de Portugal.

O processo de aculturação abarca, de forma articulada mas não homogênea ou harmônica, antes dialeticamente, esses três momentos representados pela colonização propriamente dita, ou seja, a posse e exploração da terra
subjugando os seus habitantes (os íncolas); a educação enquanto aculturação, isto é, a inculcação nos colonizados das práticas, técnicas, símbolos e valores próprios dos colonizadores; e a catequese entendida como a difusão e
conversão dos colonizados à religião dos colonizadores. (SAVIANI, p. 29).

As primeiras experiências de catequização como primeiras tentativas de educação, onde os padres assumiam o papel de professores, com abordagens centradas no domínio da fé através da abnegação católica, os ensinamentos repassados através da igreja e a metodologia chamada de Ratio Studiorum baseada na formação cristã; com um plano de disciplinas estruturadas: gramática média, gramática superior, humanidades, retórica, filosofia e teologia, a presença greco-romana, incontestável. Saviani, contribui:

O plano iniciava-se com o aprendizado do português (para o s indígenas); prosseguia com a doutrina cristã, a escoa de ler e escrever e, opcionalmente, canto orfeônico e música instrumental; e culminava, de um lado, com o aprendizado profissional e agrícola e, de outro lado, com a gramática latina para aqueles que se destinavam à realização de estudos superiores na Europa (Universidade de Coimbra). (SAVIANI, p. 43).

Partindo deste aprendizado, podemos definir a concepção pedagógica do Rátio Studiorum trazidos pelos jesuítas a partir da leitura do texto de José Maria de Paiva que tem como tema “Educação Jesuítica no Brasil Colonial” do livro 500 anos de educação no Brasil, com uma perspectiva diferente daquilo que temos como referência de escola, educação e mesmo sobre o processo de alfabetização, o autor nos lembra que cada época possui características peculiares do período e contexto em que aconteceram, então enfatiza que a escola era exclusividade de poucos e as diferenças sociais marcavam quem frequentaria ou não a escola, evidenciando não apenas marcas de poder, mas a forma que isso acontecia. Assim, o autor José Maria de Paiva, apresenta a escola jesuítica como forma de relações sociais para entender seus efeitos, relações essas que podem ser vistas ainda hoje em algumas escolas espalhadas pelo território nacional.

Fica evidente que desde que se instalaram no Brasil os jesuítas estabeleceram nas escolas o ensinar a ler, escrever, cantar e contar, por incrível que pareça podemos entender a demasiada importância que ainda hoje se dá para algumas áreas do conhecimento e o desprezo à outras, para a época o objetivo era capacitar novos missionários, e para os dias atuais quais seriam os objetivos?

Por que ainda reproduzimos um ensino e metodologia, parecidas com a época da colonização? É importante refletir sobre o interesse em ensinar os índios a lerem quando em Portugal o povo não era plenamente alfabetizado, talvez porque a visão de povo era sob o olhar de domínio português, assim não se considerava a cultura e o conhecimento indígena, esta invisibilidade indígena por parte dos colonizadores estimulava um cenário de guerra, ataques e defesas, o plano era manter o sossego das fazendas, escravizando indígenas para mão de obra escrava, assim define-se o trabalho dos jesuítas, que se utilizavam de boas palavras para trazer os índios para a servidão da coroa portuguesa.

Sobre o contexto das referências de políticas em torno do currículo educacional no Brasil, ainda sobre a teoria pós-crítica de currículo e a categoria Identidade que é marca essencial para a existência e formação do povo brasileiro, relacionando com o texto referência “Currículo: Uma questão de Saber, Poder e Identidade”, de autoria do Tomaz
Tadeu da Silva, do livro Documento de Identidade, fazemos a reflexão sobre a reprodução de uma sociedade abusiva de poder, que se utiliza das escolas e da educação como meio de dominação e perpetuação de poder da elite e do sistema capitalista, com o objetivo de manter alienada a população em relação ao seu papel de cidadão, no conhecimento de seus direitos e deveres, na segregação da população apagando a identidade de cada um, fazendo acreditar que a sociedade em que vivemos simplesmente está organizada assim; fazendo parecer comum o preconceito e a discriminação e a convivência com as diferenças como algo incomum, tais relações de poder são institucionalizadas através dos currículos que não consideram a identidade de cada um.

O não reconhecer-se, o não identificar-se significa não fazer parte, não sentir-se ator na construção desta sociedade, significa estar excluído do processo de escolha e de ações em prol de um mundo mais justo de direitos, de não ser rotulado por sua condição financeira, e mais que isso entender que somo resultado desta sociedade que está organizada para poucos. SILVA (p.145), afirma que:

Embora seja evidente que somos cada vez mais governados por mecanismos sutis de poder tais como os analisados por Foucault, é também evidente que continuamos sendo também governados, de forma talvez menos sutil, por relações e estruturas de poder baseadas na propriedade de recursos econômicos e culturais.

As teorias críticas vem afirmar, segundo Tomaz Tadeu da Silva (p.146) que “Não se pode dizer que os processos de dominação de classe, baseados na exploração econômica, tenham simplesmente desaparecido. Na verdade, eles continuam mais evidentes e dolorosos que nunca”. Isso significa, que dizer que os desafios frente ao currículo para as identidades é longo caminho a ser percorrido, isso porque o currículo escolar sem dúvida, é um dos documentos mais importantes que a escola deve conter; com ele o professor tem um norte a seguir, consegue estabelecer metodologias de trabalho e traçar objetivos a serem alcançados.

O currículo serve ainda aos educandos e aos pais para mostrar que este mesmo documento deve garantir o ensino de conteúdos essenciais para o sucesso a cada etapa pelo qual o aluno ou aluna tem a percorrer em sua vida escolar.
Para compreendermos melhor a importância do currículo dentro da escola e, por conseguinte sua contribuição para que haja uma educação de qualidade é que veremos o conceito da palavra currículo tanto em uma visão tradicional quanto em uma visão mais crítica, verificando assim, que tão importante é a elaboração do currículo e mais ainda, que esta elaboração ocorra em um espaço democrático para não acontecer que este documento torne-se meramente burocrático, inacessível e documento a ser engavetado.

O currículo por muito tempo foi documento produzido distante das salas de aulas, sem a participação efetiva da comunidade escolar, até mesmo porque sua finalidade era bem restrita, sem considerar com relevância a aprendizagem dos educandos, pois não se percebia as necessidades, a identidade, tão pouco a realidade dos mesmos na elaboração do currículo. Pois, O currículo é capitalista.

 

O currículo reproduz- culturalmente- as estruturas sociais. O currículo te papel decisivo na reprodução de classes da sociedade capitalista. O currículo é um aparelho ideológico do estado capitalista. O currículo transmite a ideologia dominante. O currículo é, em suma, um território político. (SILVA, p. 148).

Conforme Silva, (p. 147), não podemos pensar neste conceito de currículo em que a única preocupação é com o conteúdo, como se o currículo fosse engessado, sem flexibilidade às mudanças ou ainda pudesse ser confundido com as disciplinas a serem trabalhadas, percebemos ainda que neste conceito de currículo não fica explícito a participação dos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, assim mostrando-se inteiramente tradicional e reprodutor de uma sociedade desigual:

Depois das teorias críticas e pós criticas do currículo torna-se impossível pensar o currículo simplesmente através de conceitos técnicos como os de ensino e eficiência ou de categorias psicológicas como as de aprendizagem e
desenvolvimento ou ainda de imagens estáticas como as de grade curricular e lista de conteúdos.

Em uma abordagem mais crítica e atual que considera a construção da aprendizagem e valoriza o educando e sua construção de identidade, segundo Silva, p. 150,

O currículo tem significados que vão muito além daqueles aos quais as teorias tradicionais nos confinaram. O currículo é lugar, espaço, território. O currículo é relação de poder. O currículo é autobiografia, nossa vida, curriculum vitae: no currículo se forja nossa identidade. O currículo é texto, discurso, documento. O currículo é documento de identidade.

De acordo com esta abordagem o currículo não deve ser um documento desconhecido por todos, mas que precisa ser revisto permanentemente para que possa adaptar-se constantemente as necessidades que forem surgindo, tão pouco o currículo restringe-se a um lista de disciplinas e conteúdos a serem trabalhados e sim ser visto como um documento norteador para que se saiba o que e como ensinar, para que se tenha a consciência do que se está aprendendo e para que se está aprendendo.

Podemos perceber que a função social da escola transcende o educar para o convívio social, ou a memorização de um rol de conteúdos sem objetivos, é preciso educar para além da sala de aula, isso significa ensinar para o exercício da cidadania, educar para que estudantes de forma crítica possam analisar e desejar transformar sua realidade e a dos que o cercam, assim um passo importante na elaboração de um currículo que contemple a real necessidade dos educandos é contar com a participação efetiva de todos os envolvidos neste processo, ou seja, a participação de toda a comunidade escolar.

E, é pela qualidade do ensino que a promoção de um espaço democrático faz-se tão necessária e importante, pois com a participação de toda a comunidade escolar garante-se que todos estejam conscientes e sintam-se atuantes no processo de elaboração do currículo e de melhorias em prol da educação.