Planejamento Na Vida do Professor, Como Conseguir?

0
17

 

Dentro do espaço escolar inúmeros são os afazeres do professor, desafiadora é a sua responsabilidade e grandiosa é a sua missão de educar. Porém, há uma delas que se faz primordial e de grande relevância: o ato de planejar.

O planejamento tem seu destaque por ajudar não só na organização do tempo escolar como na organização de todo o processo de ensino-aprendizagem, pois é ferramenta indispensável ao mestre que pretende planejar de acordo com as necessidades de cada aluno e de cada aluna, promovendo um ambiente de cooperação.

 Para tanto, o planejamento deve ser flexível e o professor um constante pesquisador, para que possa atender a todas essas necessidades da prática educativa, garantindo assim, a verdadeira aprendizagem, aquela que preza por uma educação de qualidade.

Para ser um professor eficiente, não basta apenas ter boa vontade em desempenhar sua função, é necessário o comprometimento, é preciso estudar muito e pesquisar sempre, dedicar-se ao planejamento pensando sempre em estratégias e materiais que promovam o aprendizado de todos os educandos.

E, assim, para que todos possam realmente aprender, é essencial que o professor se planeje, se organize, esteja aberto para as mudanças, que considere e conheça a história de cada aluno e de cada aluna, para que possa com propriedade estar avaliando todo o processo educativo.

Planejar significa “pensar”, pensar no aluno e estar realmente envolvido, ter claro seus objetivos, para que o planejamento, esta ferramenta tão importante não seja apenas mais um documento a ser entregue, mas sim um documento que possibilite o fazer pedagógico.

Assim, este artigo tem por objetivo conceituar a palavra planejamento em seu mais íntimo significado, refletindo as questões que ajudam a construir e a elaborar o planejamento, que acompanha a vida docente diariamente.

No primeiro tópico, analisaremos o conceito de planejamento e conheceremos ainda, os tipos de planejamento existentes no âmbito escolar, refletindo sobre sua função e importância na contribuição do ensino e aprendizagem.

Em seguida, explanaremos sobre alguns fatores essenciais que compõem o planejamento como: a sua organização, a flexibilidade, os conteúdos e os objetivos, a constante pesquisa e formação docente e a avaliação.

No último tópico, veremos como o planejamento escolar pode contribuir para que a educação possa cumprir sua função de garantir o acesso, a permanência e o sucesso de todos os educandos, respeitando suas individualidades e potencialidades.

Nas considerações finais, refletiremos sobre a necessidade de se definir a real função do ato de planejar, neste parar e pensar como o meu fazer pedagógico irá contribuir para a aprendizagem de todos os educandos, assim, percebendo com um olhar crítico e peculiar que o planejamento bem elaborado ajuda o professor a cumprir seu verdadeiro papel.

O PLANEJAMENTO

 O planejamento, sem dúvida, é um dos documentos mais importantes que a escola deve conter; com ele o professor tem um norte a seguir, consegue estabelecer metodologias de trabalho e estabelecer os objetivos a serem alcançados.

Para compreendermos melhor a importância do planejamento dentro da escola e, por conseguinte sua contribuição para que haja uma educação de qualidade é que veremos o conceito da palavra planejamento, verificando assim que tão importante é a elaboração

do mesmo para não acontecer que este documento tão importante torne-se meramente burocrático, inacessível e, ou documento a ser engavetado.

O planejamento para muitos professores é documento produzido unicamente para as secretarias das escolas e muitas das vezes não considera com relevância a aprendizagem dos educandos, pois não percebe as necessidades, tão pouco a realidade dos mesmos na elaboração do planejamento.

Conforme pesquisa no minidicionário Houaiss (2004, p.574), o planejamento é “a elaboração de plano, programação, organização prévia”.

O planejamento pedagógico requer certo comprometimento por parte do educador que deve ter claro o que é o ato de planejar: “Planejar é essa atitude de traçar, projetar, programar, elaborar um roteiro para empreender uma viagem de conhecimento, de interação, de experiências múltiplas e significativas para com o grupo de crianças.” (WERNECK, 2000, p.199).

Como podemos observar neste conceito de planejamento fica claro que o ato de planejar é importante ferramenta que orienta e norteia o trabalho do professor, com o planejamento o professor estabelece metas através dos objetivos, cria atividades que levem seus alunos a superarem suas dificuldades, enfim o planejamento é a concretização dos conhecimentos que devem ser ensinados.

O planejamento não pode ser mais um documento a ser engavetado, ou tão pouco resumir-se a uma lista de conteúdos a serem trabalhados em cada disciplina.

O planejamento deve sim ser flexível, adaptar-se à realidade dos alunos e as necessidades de cada turma, Werneck, (2000, p.177) assim define o ato de planejar: “Planejamento pedagógico é atitude crítica do educador diante do seu trabalho docente Por isso não é uma fôrma! Ao contrário, é flexível, como tal, permite ao educador repensar, revisando, buscando novos significados para sua prática pedagógica”.

Assim, o planejamento deve estar em plena sintonia com o fazer pedagógico, para de fato contemplar as reais necessidades dos educandos, tendo em vista que muito além

do amontoado de conteúdos programáticos a serem ensinados estão os conhecimentos essenciais para a vida dos educandos.

Ensinar bem é saber planejar e, é por isso, que o planejamento deve estar presente em todas as atividades escolares, de acordo com Silva, (1999, p.10-17), basicamente existem três tipos de planejamento: O primeiro, seria o plano da escola, que traz orientações gerais que vinculam os objetivos da escola e do sistema educacional, geralmente expresso no Projeto Político Pedagógico (PPP).

O segundo, seria o plano de ensino, que se divide em tópicos que definem as metas, conteúdos e estratégias metodológicas de um período letivo, elaborado por professores de anos afins, geralmente é um documento que o professor prepara para a secretaria da unidade escolar.

O terceiro tipo de planejamento seria o plano de aula, que traz um detalhamento do conteúdo e como ele será trabalhado em sala de aula. Este tipo de planejamento é o que acompanha diariamente o professor, pois é nele em que o mestre vai criar organizar os conteúdos e suas atividades de modo a garantir o aprendizado dos alunos e alunas e contribuir para que haja a superação das dificuldades.

A COMPOSIÇÃO DO PLANEJAMENTO

 Para elaborar um bom planejamento, o professor deve ter atenção e não esquecer de alguns tópicos que são de suma importância para a realização do mesmo.

Poderíamos explicá-lo de diversas maneiras, porém o faremos de maneira bem poética a fim de sensibilizar a todos os mestres e quiserem entender como é fácil realizar algo quando realmente desejamos e acreditamos no que estamos fazendo.

O QUE É PLANEJAMENTO?

Preste muita atenção!

Planejamento, não é coisa de momento Precisa-se saber usar o tempo

E é claro de muita pesquisa e conhecimento!

É saber se organizar No aluno sempre pensar Traçar bem os objetivos, Pra saber aonde chegar.

Preparar os conteúdos

Das disciplinas que se vai lecionar Conhecer a realidade

Da comunidade escolar…

Você ainda deve saber

Que o planejamento flexível deve ser Usar de criatividade

Para o aluno melhor aprender.

È uma ferramenta muito importante Que deve ser revisada a todo instante Não é documento exigido

Pra ser guardado na estante.

Em um bom planejamento A avaliação deve constar,

Não para medir, tão pouco decorar Serve para refletir e, as dificuldades superar.

Por isso professor, saiba que o ato de planejar, Tem o poder de transformar,

Seus alunos com qualidade ensinar E bons cidadãos do mundo formar!

(Ana Paula de Carvalho Fernandes Colombo/2010)

Como percebemos para elaborar o planejamento é necessário organizar o tempo escolar que é sempre curto, quando se trata em dar conta de todos os conteúdos, a pesquisa deve ser característica marcante no professor da atualidade, pois de acordo com Freire (2002, p.32):

Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que- fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, ensino porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade.

Para elaborar um bom planejamento o professor deve estar também atento aos objetivos, ou seja, saber quais metas vai querer alcançar com determinado conteúdo, ou ainda com a turma no qual irá trabalhar.

Um planejamento com objetivos claros e possíveis de se alcançar são elementos primordiais para que o professor consiga realmente ensinar aos alunos e alunas.

Os conteúdos também devem estar contemplados no planejamento do professor, porém eles devem ser realmente significativos, pensados e repensados, organizados para atender as necessidades dos alunos, partindo da realidade da comunidade escolar, priorizando sempre o “como ensinar” não fazendo do aluno um mero receptor de informações.

Assim, o planejamento do professor deve ser flexível, ou seja, estar aberto às possíveis mudanças, pois de acordo com Piletti (1995, p.49), “Somente através da educação libertadora educador e educandos podem tornar-se sujeitos da própria educação. Somente o diálogo possibilita a educação para a liberdade, a formação de pessoas capazes de participar criticamente na construção de um mundo mais justo, como sujeitos da História”.

O professor deve estar consciente que o planejamento não é um documento estático a ser entregue, contrariamente, ele permite a tomada de decisões, por isso necessita de criatividade, de dinamismo, de se concretizar em ações pedagógicas.

E por fim, como todo processo escolar, o planejamento necessita ser avaliado constantemente, Werneck (2000, p.24), concebe a educação: “… como processual, contínua, participativa, diagnóstica e investigativa, pois propicia o redimensionamento da prática pedagógica, reorganizando as próximas ações das crianças, do grupo, do professor e da instituição educativa”.

Sendo assim, devemos descartar o pensamento em que a avaliação é vista meramente como verificação e memorização de conteúdos ensinados ou aprendidos, pois com a elaboração de um planejamento cujo principal objetivo é a aprendizagem do aluno a avaliação deve ser encarada como um processo contínuo de construção do saber.

PLANEJAR PRA QUÊ?

  O ato de planejar é importantíssimo, requer muita de dedicação por parte do professor que está sempre tão cheio de afazeres e lutando constantemente contra o tempo que parece correr, porém temos que ter em mente que a escolha pelo magistério realmente não é muito simples.

No entanto, o profissional realmente comprometido sabe o quanto é gratificante quando percebemos que podemos contribuir para melhorar a vida de nossos educandos.

Segundo Gadotti, (2003, p. 17), “Os educadores, numa visão emancipadora, não só transformam a informação em conhecimento e em consciência crítica, mas também formam pessoas”.

Para tanto, saber o porquê de se planejar faz-se necessário, pois o professor precisa compreender e ter a consciência da importância de seu papel para a sociedade, assim Freire (2002, p. 109), contribui afirmando que:

Saber que não posso passar desapercebido pelos alunos, e que a maneira como me percebem me ajuda ou desajuda no cumprimento de minha tarefa de professor, aumenta em mim os cuidados com o meu desempenho. Se a minha opção é

democrática, progressiva, não posso ter uma prática reacionária, autoritária, elitista. Não posso discriminar o aluno em nome de nenhum motivo.

Assim, o planejamento não é uma ação neutra, inerente aos fatos que compõem a educação e o próprio ambiente escolar, o planejamento é o momento de tomadas de decisões, é também um meio para que aconteça a mediação pedagógica e, esta ação é viva e principalmente decisiva.

Luckesi, (1994, p.170), afirma que: “Definida a ação, vamos à execução. Na pedagogia que vimos tentando definir, o exercício das atividades não possui um receituário definido, por isso não pode ser maquinal ou costumeiro”.

O ato de planejar deve ser repensado constantemente, pois todos os dias, a cada nova atividade deve-se estar consciente do que vamos fazer e na execução do planejamento deve estar clara a finalidade do que se colocará m prática, por isso ação e reflexão devem sempre estar caminhando juntas.

CONCLUSÃO

  Concluímos e percebemos que a função do planejamento realmente não é muito fácil de ser delimitada, ou seja, é bem abrangente, pois sobre a educação recai uma grande responsabilidade, a de transformar, a de libertar, a de conscientizar e tantas outras palavras que aqui poderiam ser utilizadas.

Pensando em uma educação voltada para a transformação, focada em um ser humano político e social é que percebemos a importância do planejamento ser instrumento capaz de contribuir para que ocorra essa transformação.

O grande desafio da educação talvez seja fazer com que os conteúdos que se ensina estabeleçam relações significativas com os interesses dos alunos, romper com o tradicionalismo, que acredita que inserindo os alunos futuramente na sociedade, desempenhando uma profissão, cumpre seu papel, porém isso não basta, não é o suficiente

estar inserido em uma sociedade se não faço parte dela, se não sou atuante sobre ela, se não posso tomar decisões e ser realmente valorizado.

Mas, a verdade é que a educação vislumbra esperança, esperança de mudança no mundo em que vivemos, pode soar como demagogia, ou até mesmo como utopia, mas é isso que temos que aqui enfatizar, é função da escola sim fazer acreditar que através dela podemos ascender socialmente, realmente conhecer e transformar a sociedade, enxergando-nos com seres atuantes e capazes de fazer diferença, essas ao menos são perspectivas daqueles que acreditam na educação.

Assim, o planejamento exercerá adequadamente seu papel na medida em que estiver em plena sintonia com os conteúdos, ser flexível para contemplar a realidade dos educandos, promover a aprendizagem e avaliar o processo educativo como um todo, pesquisar e estar em constante formação para poder criar, ter claro seu objetivo, mas acima de tudo assumir seu papel de educador, cuja prática revela sua teoria.